PREVENIR COVID-19 SEM ÁGUA?

CoViD19

Coronavírus em Angola

Desdobram-se as recomendações para prevenir o vírus e a principal é a lavagem das mãos: Lavar várias vezes, durante 20 segundos com sabão e água corrente. Mas como prevenir se a água não corre nas torneiras há dias, meses ou anos? Ou mesmo nunca correu?

Localidades sem água recentemente: Talatona, centro de Luanda, Viana, Cazenga, Sambizanga, Zango… Para não falar das províncias, mas apesar do potencial aquífero do país, a população habituou-se a remediar sem reivindicar o acesso à água potável, um direito humano fundamental.

Sem alternativas, a população usa a água conservada em bidões e tanques sem o tratamento devido e a isso, junta-se a ausência de saneamento, descrevendo-se, assim o cenário em que a maioria dos angolanos vive: Um ambiente altamente contaminado no que a bactérias e vírus diz respeito. Parte da população resiste, desenvolvendo anti-corpos, mas também, inúmeras doenças que a tornam vulnerável e imunodeficiente.

Por tudo isto, é determinante que as autoridades não se fiquem pelos avisos e recomendações de campanha, porque se assim for, não passará de um acto meramente político e hipócrita. A população precisa lavar as mãos sim! Mas com água corrente e já agora, potável. Fechar os olhos ao facto das torneiras estarem secas há dias, semanas ou mesmo anos, neste contexto de possível propagação do COVID-19, é um acto criminoso.

A responsabilidade de prover água é do Estado, não é do cidadão. O Estado deve garantir que toda a população tenha acesso à água potável de qualidade.

Percebemos que o COVID-19 está a colocar desafios enormes à maior parte dos países por onde passou, em Angola já deu para ver que serão os mesmos, mais outros tantos relacionados com décadas de medidas e programas mais propagandísticos e menos preocupados com um efeito real sobre o desenvolvimento social da população Angolana.

O COVID-19 poderá também fomentar uma mudança relativamente aos hábitos e costumes da população que paga por uma água imprópria, ausente e só tem como alternativa comprar água também imprópria de cisternas que são negócios sustentados por esquemas escusos e que se alimentam enfraquecendo ou mesmo destruindo a capacidade dos serviços públicos de distribuição de água. O que se deseja é que o cidadão saiba que a água potável é um direito e é responsabilidade do Estado prover e garantir esse direito.

Mas por agora, não vale mandar lavar as mãos sem água, senão é só propaganda.

*Mandele Rocha

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