“A educação em Angola precisa ser repensada”

Debate

Josué Chilundulo

O economista e professor Josué Chilundulo afirma que “a educação em Angola precisa ser repensada, desde o pré-escolar ao ensino superior”.

Chilundulo classifica como “péssima” a situação em que se encontra a educação no País, sobretudo no Ensino Superior que, como fez saber, possui grande parte de professores desqualificados para o exercício da actividade docente.

O professor, que fez estas afirmações quando moderava o debate sobre o tema “A Juventude e o Desemprego”, diz que o ensino público é o pior existente em Angola e que as pessoas são ensinadas a frequentar a escola para a aquisição do diploma, não para o desenvolvimento de competências e habilidades necessárias para o mercado de trabalho.

“A escola pública, propositadamente, tornou-se o pior espaço para se estudar”, denunciou Josué Chilundulo, alegando que as condições criadas e mantidas nas instituições públicas de ensino não são adequadas.

“Principalmente, porque, por detrás disso, está o patrono da universidade ou do colégio que só quer negócio e, também, porque grande parte dos gestores da educação no país decidiu fazer do ensino privado a prioridade e não o ensino público”, acrescentou.

Para Chilundulo, repensar a educação pressupõe, não só olhar para os conteúdos, mas para todo o sistema de educação. O moderador do debate, defendeu um sistema de ensino que privilegie o técnico profissional, em vez da formação nas áreas das ciências sociais e humanas.

Baseando-se numa pesquisa, o economista mencionou que cerca de 82% dos licenciados no país não presta para a economia nacional, por ser formado em áreas sociais, quando “os principais postos de trabalho são gerados na produção alimentar, na construção civil, nas engenharias hidráulicas…”, alertando ser este quadro um “enviesamento do processo de formação em Angola”.

“Isto é responsabilidade exclusiva do Estado. Nós podemos contribuir com artigos científicos ou através das instituições em que estamos inseridos: escolas, igrejas, partidos, mas é unicamente responsabilidade do Estado definir as políticas educativas”, garantiu, concluindo que “temos que repensar a educação, porque é a condição sem a qual o emprego de qualidade não vai acontecer”.

Cidadania em Debate

Na primeira edição de 2020 do Cidadania em Debate, no passado sábado,  11 de Janeiro, mais de 50 cidadãos, maioritariamente jovens, marcaram presença no Jango do Mosaiko. O próximo debate vai ser realizado no dia 8 de Fevereiro, com o tema: Movimentos Juvenis e Cidadania.

Este debate teve o apoio da Misereor – Organização Episcopal Católica da Alemanha de Cooperação para o Desenvolvimento.

Juntos por uma Angola melhor!

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