Mosaiko realiza debate sobre Desenvolvimento comunitário

O debate contou com a participação de 54 pessoas, entre as quais 14 mulheres e 40 homens.

O Mosaiko | Instituto para a Cidadania realizou, no dia 14 de Abril, um debate sobre o Desenvolvimento Comunitário, no Jango do Mosaiko.

O debate contou com a participação de 54 pessoas, entre as quais 14 mulheres e 40 homens.

A professora Rita Marques, voluntária da ONG portuguesa Leigos para o Desenvolvimento, e o reverendo Benedito Huambo, membro do Grupo Comunitário da Graça, partilharam com os participantes do debate as suas experiências de serviço no bairro da Graça.

O bairro da Graça fica localizado em Benguela, tem uma população estimada em 27 mil habitantes, maioritariamente jovens. A agricultura e o comércio são as maiores actividades de subsistência.

A organização não-governamental Leigos para o Desenvolvimento trabalha em Angola desde 2005 e é parceira do Grupo Comunitário desde a sua criação em 2011.

A ideia de criação do Grupo Comunitário da Graça foi motivada pelos problemas sociais que a localidade apresentava na época, como o débil saneamento básico da comunidade e a falta de ocupação das crianças, após as aulas.

As crianças ficavam sozinhas e faziam brincadeiras não muito boas, então criamos o Espaço Criança, um programa de actividades nos tempos livres que as ajuda nos trabalhos escolares. O mesmo aconteceu com os jovens que hoje têm um centro de formação juvenil”, afirmou o reverendo Benedito Huambo.

Hoje o Grupo Comunitário da Graça já tem definido um roteiro de desenvolvimento que foi desenhado com a participação da comunidade. O roteiro apresenta 5 áreas de actuação: educação, saúde, acção social, infraestrutura, economia, desporto e segurança.

Rita Marques contou que a base do desenvolvimento das actividades são as pessoas. “Elas participam no desenvolvimento de roteiros para o bairro, desde a sua concepção à implementação. A administração local também tem participado nas reuniões e, sempre que solicitamos uma visita com o administrador para partilharmos algumas situações do bairro, somos muito bem recebidos”, sublinhou a voluntária da organização Leigos para o Desenvolvimento.

De 2011 para cá, o grupo desenvolveu e criou parcerias com a administração municipal, com o Mosaiko e outros actores sociais, no sentido de reforçar as suas acções. “Temos realizado palestras, formações, fóruns com o grupo e com a comunidade, no sentido de reforçar a nossa actuação”, disse o pastor Benedito Daniel.

Para o seu financiamento, o grupo conta com o apoio dos membros, que contribuem com 250 kwanzas mensais para a sustentabilidade dos projectos. E os membros da comunidade participam com um valor simbólico de 500 kwanzas para os serviços que o grupo cria, por exemplo, o ATL (Actividades Tempos Livres) e o Centro de Formação Juvenil. Para alguns projectos, o grupo também tem o apoio da Misereor.

“Não temos muito dinheiro, contribuímos com o pouco que temos, o mais importante para nós é ver as pessoas da nossa comunidade felizes”, afirmou o pastor Benedito.

Os intervenientes apresentaram as suas experiências de participação no desenvolvimento das suas comunidades e as dificuldades que têm encontrado neste processo.

“Temos tido dificuldade de conversar com as administrações dos nossos municípios, o que não facilita a nossa participação cívica”, denunciaram os jovens.

Juntos por uma Angola melhor!

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