Diversificar não é só com agricultura

A economia circular pode ser outra alternativa para diversificar a economia e quebrar o ciclo de dependência petrolífera. A última edição do Cidadania em Debate, no passado dia, 15 de...

A economia circular pode ser outra alternativa para diversificar a economia e quebrar o ciclo de dependência petrolífera.

A última edição do Cidadania em Debate, no passado dia, 15 de Abril, Nuno Cruz, presidente da Associação Nação Verde, que ao lado de uma dezena de jovens, facilitou uma discussão sobre “Economia Circular: o lixo em movimento” e apontou que “a logística reversa e a economia circular na indústria dos resíduos sólidos urbanos podem ser um potencial catalisador para a diversificação da economia.”.

Para Nuno Cruz, a proclamada “diversificação da economia não se pode cingir só ao turismo ou à agricultura” porque, segundo sustentou, “hoje,  temos uma oportunidade de diversificar a economia apostando na indústria dos resíduos sólidos urbanos, o que é possíve se cada um de nós começar a olhar para os resíduos sólidos urbanos não só como lixo, mas como uma fonte de receita.”.

“O lixo, que é hoje um grande problema para Luanda, em particular e o país, em geral, podia, na verdade, ser a solução desses problemas. Noutras geografias, o lixo é uma riqueza disputada por empresas de topo. Os maiores milionários das grandes cidades da Inglaterra, por exemplo, têm na gestão sustentável do lixo a sua fonte permanente de riqueza “, referiu o facilitador.

Com uma população estimada em oito milhões de habitantes, Luanda gasta, mensalmente, cerca de oito mil milhões de kwanzas para a recolha diária de mais de 200 mil toneladas de lixo. Por outro lado, por todas as regiões de Angola, é cada vez mais  crescente o número de “catadores de lixo” que, de acordo com Nuno Cruz, por ignorância e falta de “visão do Estado”, têm sido marginalizados.

“Muitos deles inclusive, têm sido vistos como os coitadinhos, os mendigos, os que cuja aparência ou actividade sujam a imagem de Angola, por ficarem o dia todo no lixo, procurando garrafas e latas”, mas esses “catadores” que Nuno Cruz prefere chamar de “trabalhadores urbanos”, estão a  contribuir no processo da logística reversa fazendo com que os resíduos nos aterros sanitários e depois queimados, hoje, retornam às fábricas e são reintegrados no circuito económico”.

“O Estado tem que criar políticas,  no sentido de proporcionar linhas de financiamento para que quem aposte nesta actividade, viabilizar a criação de cooperativas, neste ramo, que também contribuiriam através dos impostos e do fomento ao emprego”, conclui.

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