Dia Mundial dos Refugiados

Campanha Nacional de Solidariedade a favor dos Refugiados na Lunda-Norte

Dia Mundial dos Refugiados

20 de Junho

A Cáritas de Angola e a Comissão Episcopal da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes (CEPAMI) lançaram no último dia 8 de Maio, uma Campanha de Solidariedade em prol dos refugiados que estão nos Centros de acolhimento na Lunda-Norte. A recolha de donativos segue até ao dia 30 de Junho.
Em Luanda, as doações podem ser entregues na sede da Cáritas de Angola, no Distrito urbano do Prenda, nas Cáritas diocesanas e paróquias locais. Nas demais províncias as doações podem ser feitas nas Cáritas diocesanas e nas paróquias seleccionadas. Para além das comunidades católicas, os donativos também podem ser entregues nas direcções do Conselho das Igrejas Cristãs de Angola (CICA).
Por todo o País, há pontos indicados para fazer a colecta de donativos, explica o Director Geral da Cáritas de Angola, Eusébio Amarante Guengo. Segundo ele, o pedido para as doações foi feito por meio de uma carta dirigida à todas as dioceses do País. A Cáritas e o CEPAMI, pedem principalmente alimentos, roupas, medicamentos, utensílios domésticos e dinheiro para ajudar nas necessidades básicas das pessoas que estão nos Centros de acolhimento, alerta o director.

Lunda Norte em Angola acolhe refugiados que chegam da República Democrática do Congo

Desde o agravamento dos conflitos étnicos-políticos na República Democrática do Congo (RDC), mais de um milhão de pessoas tem sido forçada a deslocar-se das suas casas para outros lugares, seja dentro do próprio país ou para o exterior, com a finalidade de garantir alguma segurança a si e as suas famílias.
Em Angola, na província de Lunda Norte, segundo dados da polícia, em média, por dia chegam cerca de 500 pessoas. e desde março até o presente momento, a Província já recebeu mais de 30 mil refugiados congoleses, dentre os quais estão idosos, mulheres e crianças.
A secretária executiva da Comissão Episcopal para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes (CEPAMI), irmã Neide Lamperti, explica que os refugiados estão a ser recebidos nos Centros de acolhimento de Mussungue e Kakanga, localizados no município do Dundo. Contudo, nestes locais a situação em que os refugiados se encontram é considerada desumana, fala a secretária.

Situação dos refugiados

O coordenador do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS), padre Celestino Epalanga, revela que muitos congoleses que são acolhidos nos campos de refugiados do Dundo, chegam com marcas de violências no corpo, várias mulheres vítimas de abuso sexual, alguns chegam com braços ou pernas amputadas, queimaduras e ferimentos graves, afirma o padre. Para além dessas situações, o padre Epalanga afirma que até ao momento já foram verificadas 12 mortes, algumas são crianças. As causas das mortes foram identificadas como malária e desnutrição, explica.
O responsável da JRS conta que duas senhoras chegaram com ferimentos e precisaram ser transferidas para Luanda por não haver tratamento adequado nos hospitais locais. Porém, na capital do país, a situação é praticamente a mesma, faltam materiais hospitalares gastáveis. Na Lunda-Norte, há quatro hospitais que estão a prestar atendimentos diários aos refugiados.
Outra preocupação dos responsáveis do CEPAMI e do JRS são as mais de seis mil crianças refugiadas. Eles acreditam que este número só tende a crescer. Segundo os dados que o padre Epalanga teve acesso, até agora são mais de 250 crianças que chegam sem nenhum adulto como acompanhante. Muitas delas são órfãs e algumas chegaram a testemunhar a morte dos seus pais, lamenta o coordenador do JRS.
A situação dos idosos também é bastante delicada, conforme fala a irmã Neide Lamperti, são muitas pessoas com idade acima dos 60 anos, elas estão tristes com a situação que estão a viver, e o único desejo delas é de poder voltar para as suas casas e continuar a vida, afirma a irmã.
Se África continuar assim, não poderá desenvolver-se; África tem que fazer um esforço para reconciliar-se e tentar encontrar um caminho que nos conduzirá ao desenvolvimento, à estabilidade, à paz e a consolidação, finalizou o padre Epalanga.
Para além dos milhares de refugiados que as organizações apresentam constantemente em numeros, temos que ter a consciência de que, por detrás de cada número, há uma história de vida pessoal, sonhos a serem construídos, realidades que estão a ser vividas, quase sem nenhuma dignidade. Não podemos ficar indiferentes a essa situação de violação dos direitos humanos! Que ninguém se cale diante de qualquer tipo de injustiça.

20 de Junho Dia Mundial dos Refugiados

Assinala-se nesta terça-feira, 20 de Junho, o Dia Mundial dos Refugiados. Esta data é celebrada desde 2001, quando foi aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), a 04 de Dezembro de 2000.
Segundo o relatório Tendência Globais da ACNUR, até o final de 2016 existiam cerca de 65,6 milhões de deslocados em todo o mundo. As regiões mundiais com mais refugiados são: o Oriente Médio, o Sudeste Asiático, a África Oriental e o Corno de África.
Em África, a situação não é diferente dos demais países que estão a conviver com esta realidade dos refugiados. Em Angola e na República Democrática do Congo, hoje também é dia de dar atenção especial aos refugiados e deslocados internos.

Mosaiko 20 anos ao serviço dos Direitos Humanos em Angola. 

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