Onde estão os programas eleitorais?

A seis meses das eleições gerais ainda é difícil aceder/conhecer os programas, propostas ou os manifestos eleitorais de cada partido. Se por um lado, revelam que estão cada vez mais presentes nas redes sociais e atentos a tudo o que por lá passa, por outro e no que concerne a conteúdo de relevância para fundamentar...

A seis meses das eleições gerais ainda é difícil aceder/conhecer os programas, propostas ou os manifestos eleitorais de cada partido. Se por um lado, revelam que estão cada vez mais presentes nas redes sociais e atentos a tudo o que por lá passa, por outro e no que concerne a conteúdo de relevância para fundamentar os seus posicionamentos…

Numa navegação rápida pelas páginas oficiais de cada partido, apenas um disponibiliza as suas ideias de governação para o próximo quinquénio (2022-2027), enquanto que todos os outros ou não actualizaram o manifesto, nos seus sites oficiais ou sequer têm site oficial operacional. Assim sendo e, olhando para os documentos apresentados nos exercícios eleitorais anteriores, com uma média de 45 páginas, hipoteticamente teríamos cerca de 300 páginas para analisar e discutir até Agosto. Mas não temos! 

Quanto mais tempo os partidos políticos levam a apresentar e a integrar as suas propostas nos debates, mais excluídos ficam os cidadãos do diálogo e consolidação das ideias de governação. Se noutras realidades desenvolveram-se comparadores de programas eleitorais, por cá nada se sabe ainda da maioria dos partidos e desde logo, é um paradoxo exigir debates entre partidos sem antes, constituírem a base que os programas eleitorais provêem para um diálogo construtivo e significativo para o país.

Sem isso,  as intervenções são maioritariamente pautadas por populismos, críticas e reacções acaloradas, ironias e troca de acusações. Os programas, propostas ou manifestos eleitorais são fundamentais não só para o enriquecimento dos debates, mas também para que cada cidadão e cidadã vislumbre a materialização e ateste a exequibilidade das ideias de cada partido.

Mais do que promessas no vazio, Angola precisa de programas ajustados à realidade dos Angolanos que apontem caminhos concretos. Não têm que ser ideias prontas ou fechadas, basta que sejam um ponto de partida melhorado pela inclusão de diferentes perspectivas e ajustado a ponto de melhorar verdadeiramente a vida de todas e todos os Angolanos.

Dito isto, há ainda que referir que não vale a pena encher páginas infindáveis de números e palavras complexos, sem correspondência directa com a resolução dos problemas actuais nem falar de promessas que à partida sabem que não poderão cumprir. Se até Agosto, o foco do debate for o essencial e menos o acessório, haverá com certeza avanços significativos.

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