Caso de resolução de conflito: A reconciliação no lar

Uma mediação, uma solução!

Resolução de conflitos, mediação

A família é a base da sociedade. Porém, há alguns factores que contribuem para a sua desarmonia, a traição é um deles.

É o caso de uma família do Cuando Cubango, cujo conflito por que passou contamos a seguir:

Um senhor de 45 anos e sua esposa de 35, camponeses, viviam juntos há 20 anos no Cuando Cubango, província em que trabalha o Núcleo de Direitos Humanos da Mavinga.

Em 2017, um ano depois do nascimento do filho mais novo, começaram os conflitos no seio do casal e um dos motivos era o facto de o marido ser dependente de bebida alcoólica, disse a esposa. Agastada com a situação, uma vez que o marido não cumpria com as suas obrigações como chefe de família, a mulher procurou resolver a situação doutra forma: envolvendo-se com o próprio primo para que este lhe ajudasse a satisfazer as necessidades de casa. Entretanto, nesse período, o comportamento da mulher mudou. O esposo notava as atitudes diferentes da mulher face aos interesses da família e do casal.

À medida que o tempo passava, os conflitos aumentavam e a mulher decide abandonar o marido com três dos cinco filhos para ir viver maritalmente com o primo. Revoltado com a situação, o esposo decidiu procurar o primo para tirar satisfações, mas sem sucesso, o que depois deu origem a confrontos, terminando o caso na esquadra da polícia, uma vez que o marido causou ferimentos ao primo.

Como se tratava de um caso familiar, a polícia achou por bem encaminhá-lo para as autoridades tradicionais. Porém, para a mediação de conflitos, os sobas da comunidade exigem que se cumpram alguns requisitos. Nesse caso, pediam bens como algum animal vivo e uma quantia em dinheiro que, segundo a esposa, era um valor muito alto para a realidade financeira da família. Mas, com algum esforço, foi possível cumpri-los.

Depois de ter ouvido os cônjuges, o soba entendeu que a parte ofendida era o primo, por ter sido ferido pelo esposo, e, por causa disso, decidiu que a mulher devia continuar com o primo. Situação que causou o descontentamento da família do esposo, por ser o primo um dos representantes da família da mulher na altura da entrega dos dotes do alembamento.

Não conformado com a situação, o marido continuava a insistir, porque queria recuperar a família. Sabendo do trabalho que o Núcleo de Direitos Humanos da Mavinga tem realizado na comunidade, procurou pelo grupo para que este ajudasse a resolver o conflito.

Depois de ter ouvido as queixas feitas pelo esposo, o Grupo, na pessoa da tia Luciana, como é chamada na comunidade, foi ao encontro da esposa para ouvir também o outro lado da história.

E depois disto, o grupo convocou, em Abril deste ano, um encontro entre os envolvidos no conflito: a esposa, o esposo e o primo da esposa.

No encontro, esclareceram-se as razões do conflito. Assim, o primo reconheceu a sua culpa na separação do casal e decidiu não mais se intrometer no relacionamento; a esposa pediu desculpas ao marido e decidiu voltar para casa. O esposo traído pediu desculpas por ter aleijado o primo e deixou de consumir bebidas alcoólicas.

Portanto, por meio da mediação do grupo os três fizeram as pazes e a tranquilidade voltou ao lar.

Fruto da experiência por que passou, o casal manifestou-se interessado em fazer parte do Grupo de Direitos Humanos, a fim de contribuir na mediação de conflitos que possam surgir na comunidade.

Capacitação

Esta mediação é fruto das formações sobre Resolução Extrajudicial de Conflitos que o Mosaiko | Instituto para a Cidadania tem realizado, com o apoio da União Europeia.

Esta actividade contribui para que os Membros de Grupos Locais de Direitos Humanos (GLDH) estejam capacitados para prestar serviços de informação, aconselhamento jurídico e/ou mediação de violações de Direitos Humanos.

As formações foram facilitadas por pessoas com experiência na área e contaram com a participação de dois a três representantes de cada GLDH.

 

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