Mosaiko participa na conferência sobre os desafios de Angola depois das eleições
Frei Mário Rui defende a criação de um pacto de regime para Angola
11 de Agosto
Talatona | Luanda
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O Mosaiko participou, no dia 11 de Agosto, numa conferência sobre o tema: os desafios de Angola depois das eleições nos sectores da justiça, economia, educação e saúde. O evento foi realizado pela Editora Visionários, no Hotel Monalisa, no município de Talatona.

A conferência organizada em dois painéis contou com a presença de seis prelectores: o doutor Maurílio Luiele (em representação da UNITA), o activista Augusto Báfua Báfua e o director administrativo do Mosaiko frei Mário Rui, no primeiro painel; e o doutor Mário Pinto de Andrade (em representação do MPLA), o doutor Marcolino Moco e o economista Filomeno Vieira Lopes (em representação da CASA-CE), no segundo.

Durante a conferência, cada um dos prelectores apresentou propostas que o governo que vai sair das eleições de 23 de Agosto poderá implementar, no sentido de o país ver desenvolvidos os quatro sectores em abordagem: justiça, economia, educação e saúde.

Ao fazer o uso do tempo que lhe foi concedido, frei Mário Rui começou por felicitar a Visionários Editores pela realização do evento e a agradecer pelo convite.

Para o frei, Angola deve criar um pacto de regime, um acordo que todas as forças políticas devem efectivar para a elaboração e definição de metas de médio e longo prazos, a fim de que nenhum partido que venha a ser governo perca de vista as linhas orientadoras para o desenvolvimento do País.

A abordagem do frei Mário Rui foi, maioritariamente dirigida à educação, partindo de experiências pessoais e institucionais na área da educação e dos Direitos Humanos.

Sugeriu que o país criasse uma rede de creches para famílias pobres poderem ver os seus filhos a usufruírem da educação pré-escolar. Muitas das nossas creches são mais caras que as universidades, disse o frei.

No âmbito da qualidade de ensino, o director administrativo do Mosaiko afirmou que há grandes debilidades no corpo docente do País. O primeiro objectivo da educação deve ser que todas as pessoas possam terminar a escolaridade obrigatória de qualidade, referiu.

Sobre a economia, frei Mário defende uma distribuição equilibrada dos recursos da Nação ao povo. Para ele, não interessa só ter dinheiro, interessa também onde e como distribuir.

No âmbito da Saúde, o frei entende que o acesso à água potável e ao saneamento são tão importantes como ter medicamentos em casa, defendendo políticas eficazes de prevenção em vez de combate às doenças.

E na justiça, defendeu o acesso ao registo civil a todos os cidadãos como também a informação à população sobre o sistema de justiça que o País tem. Muitas pessoas não percebem o sistema de justiça que nós temos, o que se precisa não é só a educação jurídica das pessoas, mas o conhecimento da justiça pelos próprios juristas, afirmou o frei Mário Rui.

Estiveram na conferência cerca de 70 pessoas, desde estudantes universitários a especialistas em diversas áreas académicas, que apresentaram as suas contribuições e dirigiram questões aos prelectores.

 

Mosaiko | 20 anos ao serviço dos Direitos Humanos em Angola.