Mosaiko realiza debate sobre o Feminismo em Angola

31 mulheres participaram no evento

No âmbito do ciclo de debates sobre Direitos Humanos e Cidadania, o Mosaiko realizou, no dia 10 de Março, um debate sobre o Feminismo em Angola. Moderou a sessão a membro do movimento Ondjango Feminista, Âurea Mouzinho.

Participaram no debate 109 pessoas, das quais 31 mulheres e 78 homens, tendo sido a edição do “Cidadania em Debate” em que mais mulheres se fizeram presentes, nos últimos 9 meses.

Numa entrevista paralela feita pouco antes do início do encontro, a moderadora afirmou ser “muito difícil” falar de feminismo em qualquer lugar, “porque as pessoas vêm com ideias preconcebidas”. Contudo, entende que o feminismo é uma corrente que tem muito a oferecer à Angola. Já no encontro, Âurea Mouzinho afirmou que o feminismo “é uma ideologia social e política que tem como base entender que a violência que as mulheres sofrem é fruto dum sistema patriarcal que valoriza a figura masculina em detrimento da figura feminina, e todas outras figuras que não caem nesse padrão do masculino e feminino”, disse acrescentando que “é uma teoria de reivindicação contra todos os sistemas que perpetuam o sistema patriarcal, como exemplo, os sistemas capitalista, racista e homofóbico”.

“Feminismo em Angola, como noutras partes do mundo, nos faz engajar de uma maneira crítica aos vários discursos que legitimam a opressão, submissão, desvalorização e discriminação das mulheres, e não olhamos só para a cultura e para a religião, mas olhamos também para o Direito e para a política; olhamos para sociedade como um todo, de maneira crítica, e nos perguntamos como é que podemos alcançar a justiça nas relações de género? O feminismo procura fazer com que as relações de poder entre homens e mulheres sejam mais justas”, disse a Âurea Mouzinho.

Os participantes intervieram levantando diferentes questões, desde as relacionadas com o casamento, a política, a cultura, a religião e as comunidades rurais e urbanas.

“Nós estamos num contexto de lutas muito sensíveis. Eu acho que o feminismo é um movimento necessário, porque tanto o homem como a mulher devem crescer, mas precisamos de ter abertura de espírito para ouvir o contrário”, – Mbanza Hanza.

“Os homens ainda têm a ideia de que o feminismo é contra eles, e isso é realmente muito triste” – Rosimira Quitombe.

Este debate teve o apoio da Fundação Fé e Cooperação (FEC).

 

Juntos por uma Angola melhor!

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